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Real x Fantasioso

Sabe aquela sensação de ver o fantasioso, a mentira e conseguir enxergar o real, e mesmo assim deixar o fantasioso te afetar?
That’s my world.
Em tudo que acontece, me deixo levar pela fantasia, pelo mundo da minha pele e ignoro o que eu realmente sei. Que não é nada daquilo, que sei que tudo vai dar certo e que eu não estou perdido.
Não estou perdido. Vai tudo dar certo. Não é nada daquilo.
Mas a vida não é sempre como a gente quer e mesmo bem, mesmo mal eu sei que tudo vai acabar uma hora e tudo vai ficar no mínimo mediano.
Todas essas dúvidas pelas quais minha cabeça anda em tormentas são desnecessárias porque sei que no futuro vai dar tudo certo. Vou ser feliz.
A Renata – consequentemente, eu – diz que eu me cobro demais, que meus padrões de vida são elevados e que eu não preciso ser assim. Que eu quero tanto ser extremamente feliz que ignoro as coisas do presente. Penso tanto no futuro que não sinto o agora. Eu sei disso – é disso que eu to falando, de ver o real e viver o faz-de-conta.
Mas é tudo. TUDO.
Pior que geralmente as pessoas acham que eu vivo na fantasia porque é mais fácil, dói menos. Pelo que eu escrevi, não é. Antítese. É que minha estorinha de fadinhas e duendes não é bem assim, é mais um “eu tenho que” do que um “era uma vez”.
Um dia aprenderei a viver a fantasia boa, sem me deixar ficar à deriva. Preciso de uma âncora!
Pensarei sobre as coisas da minha vida depois de terça-feira. Agora não é hora disso. Não deveria nem ter escrito isso, e nem sei o porquê de tê-lo feito. Medo do futuro.

beijos, mundo. Instrumental me chama, talvez, por nada.
[back to the 48 hours of almostalmost non-stop writing and erasing]

Ver o quão perdido eu estou agora mesmo me dá um aperto no coração e me deixa terrivelmente mal. Mas o biodiesel me chama amanhã, e agora? Não consigo estudar. Tenho um medo desesperador de ficar de recuperação em Instrumental e simplesmente não movo um dedo pra conseguir mudar isso. Motivação destruída por leitura… Leitura de emoticons que simplesmente demonstram um “caguei!” pra você. Outras, palavras que significam “beijos se fode aí”.
A gente pega o costume de dizer muita coisa da boca pra fora, mas às vezes não percebe o quão ruim é fazer isso, ou mesmo esquecer de falar certas coisas, perguntar outras… Mágoas são criadas assim e espero ter aprendido. Um egoísmo severo que chega ao ponto de ignorar o que o outro sente para se sentir melhor.
“do not overthink” é o que diz o post-it. Irônico.
Parece que eu não consigo me manter bem durante muito tempo, me sinto só.
E quando não estou bem, parece que todos aqueles motivos pra ficar mal que estavam sendo ignorados na última fase me atingem como agulhas!
2010 será diferente. Aprendi que colocar muitas expectativas em pessoas que não se conhece tão bem quanto você achava que conhecia é a pior coisa a se fazer e o baque que se leva disso é surreal.

Since you been gone

Quarta-feira tive revoluções e revelações nos meus pensamentos. Não é só porque quarta-feira é o dia da minha terapia com a Renata mas porque, além disso, tive conversas que acenderam as luzes e pude ver.
Realmente, fui idiota. Fui idiota por deixar certas coisas terem se desenrolado até certo ponto, quando podia ter posto o pé e evitado muitas coisas que aconteceram. Muito sofrimento por apenas fadiga.
Perversidade que demorei pra ver, uma perversidade e um egoísmo disfarçados de tal forma que eu – com visão limitada e com compaixão – não pude ver – até agora.
O que acontece no momento é algo estranho, porém muito sadio. Mesmo achando que ainda é muito injusto pro meu lado – longe de me fazer de vítima – isso pode me fazer um bem e um mal nunca antes vistos.
Incomoda? Sim. Importo-me com o fato de isso me incomodar? Sim. Quero voltar ao jeito que estava antes? Não. Mesmo.
Acho que a perversidade em si caiu na real e se deu conta do que precisa fazer pra se curar, além das injustiças cometidas em prol do seu próprio ego (ísmo).
Inconsequentemente as mentiras vieram e me senti nu perante um mar de beatos ao descobri-las. Beatos vestidos de mentiras negras que eu, cego de ilusões, acreditei ter visto nus.
Até a confiança se foi, uma confiança que demorou pra surgir e foi-se embora de um jeito inacreditável. Assoprada em mil pedacinhos com a velocidade de uma digitação de senha em um blog que não é seu.
Mas quem sou eu pra dizer essas coisas? Dessa vez, apenas sou a vítima de um maníaco que só quer me ver mal sozinho ou bem com ele. Mas que nunca vai conseguir ser feliz na vida se continuar com esse ísmo. Já fui altruísta demais e me orgulho das coisas que faço em benefício da perversidade agora. Quero que os bens que espero estar provocando surjam efeito um dia, porque sinto que não quero mesmo receber nenhuma mensagem no meu celular falando que desejava estar morto antes de compromissos que necessitam minha concentração total.
Já cansei do velho morde-e-assopra. Já cansei do novo mostra-o-blog-cheio-de-”quero-ver-tua-culpa-surgir”-e-bloqueia. Bem, agora que eu vi a verdade das mentiras, espero que as mentiras se tornem verdade e a verdade continue lá e que ainda seja verdadeira.
Posso respirar agora, sem culpa.

II. Brumas

Maurício queria perdoar, mas seus pensamentos na opinião de seus amigos o bloqueavam totalmente; tão forte o bloqueio era que ele nem mesmo cogitava perdoar. Chegava a transpor a opinião deles à sua. Uma transferência honesta, porém que no fundo sabia que não eram suas. Preferia ver seus amigos felizes com relação à história dele do que se sentir feliz pela primeira vez desde que o verbo perdoar surgiu na sua vida. O infinitivo era tão forte na sua cabeça que não conseguia pensar em perdoar seus próprios amigos e consciência. Viver o calor novamente seria bom? Viver as excitações debaixo da água das nuvens novamente? A lembrança do calor era tão intensa na vida dele que ele provavelmente achou que o desejo era tão latente que não podia ser ignorado novamente. A palavra ressonava na sua cabeça. O tornava doente mental e fisicamente. Precisava fazer o que a voz mandava ou então, no pior dos casos, morreria. Suas emoções estavam na pele, escorrendo pela sua testa e caindo junto às lágrimas, irritando seus olhos já vermelhos. Decidiu então. Pegou o primeiro ônibus para o calor e andou sob o inferno em forma de cidade. Nunca esteve tão quente, mas o frio o dominava. Jogou fora seus fones de ouvido e o baque pareceu um trovão. Uma cena de Hollywood. Olhou para o céu e viu o que parecia mesmo ser um filme: o céu que até então estava fervendo em sol foi coberto por uma camada grossa de um véu negro. O clima ideal para o perdão. Chegou em seu destino e bateu na porta. Esperou. Ouviu a música parar e os passos. A porta abriu e o Rei apareceu, seus olhos esbugalhados e sem discurso aparente. O Rei sem palavras. Maurício na porta, abriu a boca que parecia demorar alguns minutos para deslocar os lábios, que estavam há tempos pressionados com força. E nada mais. Segundos que pareceram eternidade. O Rei então fala. “Oi?” se ouve e “oi” se responde. Sem perdão. Maurício percebe que não havia o que perdoar. O Rei, apesar de não-inocente, não fez nada digno de perdão. Mas Maurício disse: “eu te perdôo.” O Rei apenas riu, mas de não saber o que fazer, provavelmente. Um abraço aconteceu e Maurício não entrou no castelo. O perdão veio, Maurício estava livre e o Rei, condenado. O perdão agora não era mais dele.

I. Cabular

Roberto lia “A Náusea” enquanto tentava não pensar na sua própria. Fechou o livro rapidamente e pensou no quão desanimado para sua vida estava. Não via mais graça na vivência, no cheiro do café, da grama cortada, dos perfumes importados que lhe chamavam pela alma há alguns anos. Mas não agora, não mais. Sua alma, ou qualquer que fosse o nome que recebia sua essência, pendia por um fio fraco e puído, devido aos anos de umidade, chuva, calor, vento e frio. Seu clima corpório também andava em tormentas, estas que eram puras, tão puras que até o pensamento delas já as desmanchava tornando-as não-tão-puras. Essas tempestades tropicais, esses clicones, furacões e redemoinhos feitos de pura apatia. Sua derrota era visível, em todo seu corpo e em toda sua fala, assim como seu toque e seus olhares; mas ele acreditava que podia enganar o que considerava amigos e com isso vivia seu teatro de felicidade e conquistas. Consquistas que eram vindas, porém logo esquecidas. Ele almejava o que no subconsciente sabia que nunca conseguiria, mas quando milagres eram reais, logo ficava visivelmente feliz, mas loucura pensar que era genuíno: tratava de encontrar algo impossível novamente. Seu mundo de fantasias para se proteger da realidade. Olhou pra cima com o livro na mão e um corte de cena nos leva ao autor do texto sentado pensando na sua morte – alguns anos atrás, que trouxe ao autor seus pensamentos devido ao seu diário, encrustado de fungos e muitas palavras de tristeza. Ele queria ser livre, estava louco por isso; porém era silencioso. Todas suas necessidades eram abafadas por sua apatia. Fingia não precisar de nada, mas queria o mundo. Queria viajar, sem preocupações com a vida. mas não encontrava motivação nem mesmo nos cantos mais certos de encontrá-la. Mas nos enganamos todos ao pensar que estava bem. Seu enterro foi ordinário assim como sua vida. Seus amigos e família – sim, ele possuía – estavam lá. Seu rosto nunca demonstrou tanta infelicidade. Mas seu diário não fez jus à sua cara. Seu diário era a infelicidade em definição. Quando foi lido pela primeira vez, um ano e dois meses após sua morte, foi como se tivesse libertado sua alma. Deve ter sido finalmente feliz. Agora sou eu quem devo procurar a minha, porque parece que absorvi todos os sentimentos de meu amigo. Agora, não sei o que fazer. Estou a sós com meu destino. Só.

Eu vou me matar

Não literalmente, mas sim, irei me matar. Esse meu eu dentro de mim, que fica mal por motivos desconhecidos, ou até conhecidos, mas que são súbita e propositalmente desconhecidos pelo meu subconsciente – ou até mesmo o consciente.
Não quero fazer um texto bonitinho, não quero mostrar ao mundo que sei escrever – não, não é pretensão ou falta de modéstia, é só um “eu realmente gosto de escrever e ler o modo de como meus textos são escritos e minha obsessão por vírgulas” e mais um pouco de “i write well” que foi dito por uma das gêmeas evangélicas da minha turma do meu técnico de química. Assim, também não é preconceito, é só que não consigo ver uma pessoa que tem uma mochila com um desenho de uma menina escrito “i am a girl”, um chaveirinho de um backyardigan em biscuit e um dizer “louca por Jesus” escrito em cola colorida com glitter escrevendo textos que me agradariam a vista –. É só um modo de dizer que eu estou mal, não sei o motivo e que um dos meios que acho de ficar melhor, ou pelo menos me sentir um pouco mais leve. Mesmo que já tenha encontrado alguns meios de ficar melhor, não tão úteis ou promissores pro meu futuro. Ler um livro de expressões gays em 9 línguas diferentes – ne me déteste pas parce que je suis beau -, passar o menor tempo possível em casa, ou se não for possível, passar esse tempo em casa fazendo tudo pra não PARAR. Não posso parar pra pensar em mim senão acontece, por exemplo, isso. E esse “isso” foi com uma olhadela básica de nojo pro texto, dane-se. Vejo séries fúteis, outras não tão fúteis – mas essas me fazem chorar, aliás, chorei hoje até com So You Think You Can Dance. Mesmo sabendo que eu deveria estudar, ou parar de pensar nessas coisas, me dedicar a mim, não consigo. Não sou “bom” o suficiente pra mim. Não consigo me amar.
Eu vou me matar, eu vou matar esse eu que um, finge que estuda, dois, trabalha, e três, chora, nessa ordem geralmente. O passo está tomado, já pedi demissão, mesmo que aparentemente esse pedido tenha sido sumariamente ignorado pela minha coordenadora de monitoria e que eu esteja mais interessado no dinheiro do que no trabalho mesmo. E não consigo deixar de pensar no quão ruim esse texto está, mas penso: “Clarice Lispector.”. Fim.
Muitos pontos, muitas vírgulas, até parece minha vida.
Quero pontos de exclamação! Quero pontos de interrogação! Quero ênclises, quero hífens. Chega de pleonasmos e, pelo amor de deus que não existe, chega, CHEGA de hipérboles. Chega de erros de português, sejam eles grafia (dor), concordância (falta de sentido na cabeça) ou cacofonias (quando fico desgostoso).
Quero muitas letras i sendo faladas com o biquinho da letra u.
Quero muitas letras r sendo faladas como o carioca fala “porra”.
Quero muito AirFrance. Quero muito Lufthansa. Não quero mais cálculos, ligações e eletrodos, esses últimos podem ser enfiados no seu querido orifício anal, professor.
Eu vou me matar, eu vou me amar.
Muitos pontos, muitas vírgulas, até parece minha vida! Que não tem nada de errado, ninguém vê nada de errado, ninguém enxerga. “Se podes olhar, vê! Se podes ver, repara!”. Tenho dinheiro, tenho amigos, tenho futuro, tenho tudo que qualquer morador de rua falaria que quer, que sonha, que me roubaria por isso. Mas simplesmente não reparo, mas pelo menos consigo ver.
É isso aí, vou entrar pra uma academia, vou colocar lentes de contato – essas últimas, são uma metáfora. Rá! Como sou esperto, estou me matando de rir fazendo o link com o Saramago.
Sou uma Macabéa e um Gregor Samsa misturados, batidos com leite e álcool.
¡Arriba!

Dependência

Engraçado como apenas olhares numa festa conseguem fazer como eu me sinta escória. Incrível, na verdade. É nessas horas que se vê o quanto pseudoavançada é sua mente: acha-se que sua mentalidade é algo fora dos padrões, que o pensar é totalmente diferente da maioria das pessoas, que se não é maduro, é muito próximo disso, e que escorrega por pequenos detalhes.
Mas não dessa vez, dessa vez foi um tombo. Encontro comigo levantando agora, escrevendo. Mas não sei se vou conseguir ficar de pé tão rápido, e por um motivo tão banal!
Autoestima que andava tão alta, hoje caminha em curtos passos. Quiçá para trás.
Continuo achando incrível minha cabeça conseguir ser tão infantil em questões do coração. Do coração metafórico, é claro. Incrível.
Foram apenas olhares – muito trocados. Um beijo – não meu. E os olhares – que não pararam. Continuaram por horas a fio. Hora de se tomar alguma atitude, criança. Atitude tomada. Falha crítica: Negação. Incoerência. Olhares. Olhares. Opa, olhares. Incoerência.
Foi o suficiente. Me arrastou e não sei o motivo de estar no estado que eu estou aqui. Nem estou na minha casa para escrever isso com mais calma, muito menos sozinho.
Não sei. Não sei o motivo de nada. Sou um ignorante nesses assuntos. Sinto inveja daqueles, que conseguem ter sorte no amor, azar no jogo. O jogo da vida.

Achado

Ela estava no alto do prédio, de pé na amurada de pedra que separava um mundo inteiro de tecnologias, pessoas, conexões mentais, interestaduais e mundiais, de outro mundo, inteiro, cheio de espíritos que na sua mente, seriam talvez melhor do que esse outro universo no qual ela estava presa, mal conseguindo manter-se de pé. Depressão era de longe o que ela não sentia: era muito pior, aliás, não se deve usar nada certeiro sobre “ela”, então, corrigindo: devia ser muito pior. Ninguém, absolutamente ninguém sabia o que ela pensava, o que ela sentia, o que ela deixava de sentir. Ela apenas acreditava num futuro melhor, mas sem nenhum tipo de pensamento otimista quanto a isso, vivia no fundo do poço, mesmo que acreditando que um dia a luz lá de cima iria ser ocultada por alguém perguntando se estava tudo bem.
Mas não deu tempo desse alguém aparecer, ela pulou. Aliás, diz-se que ela não pulou não, foi a primeira pessoa a voar: ficou livre. Livre de todas as mazelas de sua miserável – nunca ordinária – vida. O prédio tinha apenas um andar. Caiu na água gelada.
Voltou pra casa e deitou na cama, tremendo. Pensou bastante na idiotice do que tinha acabado de fazer, pensar e almejar. Afinal, viver é um presente, e ela iria morrer um dia ou outro, inevitavelmente.
Decidiu viver, enquanto tremia.
Morreu de pneumonia no dia seguinte.

Anestesia

Argh, to cansado já desse sentimento bate-volta que vive me acometendo. VAZIO.
De repente, sinto-me atingido por ele, e nada mais quero. Ou pelo contrário, tudo quero e nada posso.
Todos os defeitos que não possuo vêm a tona – detalhe para como eu me referi: eu poderia ter dito “todas as minhas qualidades somem”.
Impaciência, futilidade, desmotivação, ganância, inveja, tristeza, choro…
Afasto-me de todos os meus amigos, a quem me dão suporte nesses momentos, me irrito facilmente com atitudes que julgo, agora, infantis mas que em momentos normais consideraria apenas brincadeiras inofensivas.
Deixo de olhar para o que eu tenho, e começo a encarar o que eu NÃO tenho. Caramba, sou fútil mesmo. Quero tudo tudo tudo e mais, e quando eu consigo eu logo enjoo, largo, destruo ou desprezo. Não aguento mais!
Essa minha apatia é passageira, todos sabem, mas às vezes simplesmente queria deixar de sentí-la, nunca mais! É um desejo que eu anseio por tudo que há na minha vida, e sei que nunca vou ter. Ou vou, que seja, mas não será num futuro muito próximo.
Sabe o Toque de Midas? Então, o meu é a sua antítese: tudo que eu toco vira merda. Consigo destruir tudo que construí, tudo que os outros conseguiram construir, e não me sinto nada agradável com isso, aliás, quem se sentiria? Não consigo evitar, é mais forte do que eu nesses momentos desprovidos de graça.
Chega uma hora que até um pelo flutuante de meu cão me irrita tanto, mas tanto que eu grito. Um erro de digitação, uma letra, me faz arrancar cabelos. Um minuto perdido de reflexão é pura perda de tempo. Queria dormir e nunca mais acordar, afinal, voltei a ter um sonho que eu tenho desde pequeno: morro, e como espírito visito todas as pessoas que eu amava, que eu considerava, e via como elas reagiam à minha morte – egocentrismo comanda aqui – e mesmo sem poder interferir em suas vidas, não sei o porquê de isso ser tão importante pra mim, o SER importante para alguém. Eu nem sei o motivo de escrever nesse blog, já que nenhum amigo vem pessoalmente e diz algo do tipo “poxa, li seu texto no seu blog e me identifiquei, pode ficar calmo, eu te ajudo com isso, é normal…” ou menos ainda como “eu li seu texto, legal”. Até dizem, sabe, mas eu queria algo mais substancial.
Desmotivação de viver é o que manda na minha vida, acho que eu só vivo, ando, como e durmo hoje por alguns motivos e pessoas, que, até mesmo por pretensão sei que sentiriam minha falta – aí que vem aquele pensamento maldito “ou não”.
Caramba, prometi que não iria mais chorar nesses textos depressivos, mas não dá sabe, eu to me sentindo tão mal, mas tão mal, que é capaz da minha mente bloquear tudo isso e quarta-feira, na psicóloga eu não conseguir dizer nada, apenas chorar e chorar e ela ficar preocupada, e pera aí: ela tem oito anos de profissão e tá preocupadíssima – nas suas próprias palavras – com minha depressão? Então deve ser algo mesmo sério, mas não demonstro! Nem mesmo a mim, quanto mais aos meus amigos.
Mas só eu sei, ou uma parte minha sabe o quanto eu to mal, quebrado, vazio.
Já dizia Brandon Flowers, “Time cure hearts”. Resta esperar. Esperar.. Esperar…

O que eu estou esperando? Ninguém pode me dizer, é segredo!

Maybe

Eu nunca estou satisfeito com nada.
Queria uma bola de cristal para ver se um dia isso acabará.
Será?
Queria sentir coisas como se nunca as senti na vida.
Queria ficar contente com o que eu tenho agora
Queria o não-querer das coisas.
Queria o não querer o ter.
Queria muitas coisas, mas nada como ser, talvez, eu.
Sei que sou inteligente, pelo menos acima da média. Sei que tenho algo de beleza, pelo menos novamente, acima da média. Sei que tenho amigos maravilhosos, coisa que muita gente gostaria de ter. Mas será que minha vida tem que sempre ser comparada com a dos outros? Minha vida só existe se houver um referencial? Preciso me amar sem motivos, sem precisar mostrar isso para os outros. Os Outros…
Estou evitando ir para cama, pois sei que vou cair em tentação e me partir em pedaços, devaneios, lágrimas e sono. Dormirei e acordarei como todos os outros dias, como se isso nunca tivesse acontecido. Fico apenas feliz de que este texto seja o registro de uma coisa que virou quase rotina, e que só escrevi pois um amigo próximo perguntou o motivo de eu ter me afastado do blog. Coisa que eu nem sei o motivo, sei lá.
A tentação macia está chamando. Edredom, lençol, travesseiro e colchão. Pele lisa, escorregando. Sono, acordar. Soneca e banho.

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