Eu quero.
Eu quero muitas coisas - e não são poucas, não se deixe levar pelo uso contínuo de expressões - e talvez eu nunca consiga.
Quando eu era criança, minha vida era programar minha vida pós-18.
Agora eu tenho 17 e vi que minha vida tomou uma nortada que me abalou de jeito.
Não sou quem eu queria ser - e me orgulho disso. Não vou ter a profissão que eu queria ter - e novamente me orgulho disso. Não sou tão solitário quanto eu imaginei que seria - e ainda sim de algum jeito, sou.
Me sinto num tribunal onde o júri, os advogados e o Excelentíssimo Sr. Juiz confabulam sobre meu estado de liberdade. Do lado de fora, jornais com minha foto, prontos para serem lançados, algumas centenas escrito “CULPADO!” e outros exemplares, em menores quantidades - pois não é a previsão, mas nunca se sabe - escrito “INOCENTE!”.
Tá certo que isso talvez tenha te lembrado muito de Chicago, o musical, mas é que às vezes eu imagino a vida assim, um eterno musical, no qual você anda na rua, entristecido e chorando, e de repente surge o mendigo, te chama para dançar e cantar uma ciranda, e de repente o bombeiro, o policial, a velhinha e o bebê no carrinho começam a dançar e cantar… e tudo some. Vira pó.
Eu quero.
Eu quero ser alguém.
Eu quero ser.
Eu queria saber escrever bem, eu queria reconhecimento, eu queria amores, eu quero vida.
Mas a vida é uma praia - este trocadilho não funciona em português: but life’s a beach.
Eu me acostumei a ser esse pedaço de carne num sistema rotativo chamado vida. Tudo repetitivo, cicloso e totalmente aprendizável.
how do you solve a problem like maria yuri?
As perguntas da minha vida se resumem em “será?”, pois não é possível que minha vida seja um “vou ser”. TUDO nela muda, tudo. Nada do que eu já tentei figure out FOI de fato. NADA.
Desculpem-me pelos CAPS, pelas vírgulas, mas não tive saco de re-ler este pseudo-texto.
Não estou nada bem, mesmo quando aparento estar.
Estou feliz porque quero te agradar.
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