Quando tentei mudar de vida, todos falaram algo, adicionando pequenos palpites. A questão na verdade é essa: tenho eu algo a acrescentar nesse monte de críticas?
Agora, estou me sentindo como naquele texto em que eu me sujeitei à uma terapia de grupo. Estou tentando pegar este momento e aglutinar numa bola asquerosa, com a qual jogarei um tipo de arremesso de peso: consciência, bom senso e liberdade.
Preciso get real. Preciso de uma fresca liberdade no rosto que seque meu suor e minhas lágrimas, que deixe minha pele como quando vou à praia, e o vento me seca, deixando-a branca de sal.
As pessoas têm aquele velho medo mundano de pessoas. Se ferem com paus, pedras, balas e bombas, mas não aprendem como podem fazer o respeito coexistir entre elas; usam suas longas e afiadas línguas como chicotes e chibatas, arranhando e mutilando gerações de maçãs verdes e patinhos feios.
“Falar é fácil.”
A paz vem de você, mas é tangente ao mundo exterior, que só te aceita quando você se aceita. Aceitar-se pode parecer fácil, mas é mais difícil do que eu pensei. Não-aceitação brings/let you down.
Estaca zero é o meu ponto inicial e final, acho que não sairei tão cedo de onde estou, e estar desnecessariamente calmo com tudo que está acontecendo é útil quando se tem uma vida tão complicada para alguém da minha idade.
Será que quando ficar mais velho irei me sentir como quem chorou rios de lágrimas à toa, por motivos infantis, que eu tinha de enxergar com minha velha adulta mente que só vê o que lhe foi programado durante seus curtos anos de código aberto?
No mometo que escrevo isto, estou programando minha vida; esperando por uma entrevista de monitoria para os laboratórios de Físico-Química e de Inorgânica/Geral. Será que me qualifico o suficiente a ponto de conseguir provar a mim que eu tenho capacidade para gerenciar e prover manutenção à um laboratório que preparou os melhores químicos do Brasil?
Ao mesmo tempo que tento esticar meus braços para alcançar algo que meu corpo não consegue, mas minha mente acha que sim. Mas minhas pernas encolhem, e me sinto cada vez menor do que eu às vezes realmente acho que sou; será que alguém tem a mesma mentalidade que eu? Será que alguém me entende? Perguntas que talvez pessoas respondam “sim!” mas que possivelmente nunca serão totalmente respondidas…
Não é que eu seja anti-social, tímido ou “na minha”, mas a minha vergonha de aceitação às vezes atrapalha. Serão só pensamentos sobre pensamentos alheios?
Egocentrismo não me faz melhor que ninguém. Não que eu possua – longe disso, não mesmo – mas que às vezes eu gostaria de ter, só para sentir o gostinho de se sentir capaz, sucedido e amado – principalmente.
“Ah, mas a vida é assim mesmo!”
Quero mudar, e para mudar é necessário abdicar de muitas portas abertas agora – é estranho, não irei sentir falta delas, mas é confortante saber que eu posso tê-las – para que outras se abram depois, e quantos outros caminhos tortuosos e com vidro quebrado eu terei de caminhar descalço no escuro, auxiliado apenas pelas chamas bruxuleantes do que significa algo para mim: amor – seja ele familiar, de amigos, ou o que mais sinto falta: o amor passional.
Espero que sejam muitos caminhos, e que sejam longos para que eu possa aprender by myself.
“Ah, amanhã eu faço.”