Do nada, comecei a me sentir estranho. E estranho, e mais estranho. Comecei a viajar nos meus próprios pensamentos, devaneios e ilusões. Voltei a realidade logo, assim que pude, pois sei que não devo mais fazer isso: afinal, consegui quase tudo que queria, e tudo que eu agora tenho, que já quis e arduamente – ou não – consegui, não dou o devido valor. Sou a futilidade em pessoa, sou a ambição definida. Sou a volubilidade materializada e concentrada. Quero. Não quero. Quero. Não quero tanto mais. Jogo fora. Salvo.
Me Salvem! Não! Quero eu mesmo me salvar, preciso apenas… de AJUDA! DE AUXÍLIO!
Dinheiro me satisfaz, mas logo que o tenho não sei o que fazer, gasto tudo e logo quero mais. Paro e penso: não é esse o propósito? Então por que sentir-se mal em gastá-lo? Talvez por que não é “seu” e você não tenha trabalhado arduamente para conseguí-lo?
Resolvido: Trabalho. Canso-me exaustivamente com esse trabalho, mesmo que o mesmo não me exija muito por enquanto, mas é o preço que lhe valhe: apenas 200 reais. Será isso o suficiente para saciar-me de meus desejos? Não sei.
Tempo, o perdi bastante? Estou na flor da idade e sinto como se tivesse 50 anos de idade. Minha psicóloga disse que se ela fechasse os olhos ela pensaria que estava falando com uma pessoa idosa, que está desesperada pra viver enquanto pode. QUERO VIVER! Ao mesmo tempo em que não posso! EU QUERO! Mas não posso! OU POSSO, mas não quero ter que querer o poder? Pequenos devaneios como esse me fazem enlouquecer antes de dormir, no ônibus, em momentos que estou sozinho, e na terapia-espelho, os mesmos voltam com toda a força, como um soco para mim. Me acho feio, me acho bonito, volubilidade está solta, mas nunca é constante: não posso ser uma coisa que eu queria, que eu sou, tenho que ser uma coisa que é instável, inconstante e não é nem um pouco uniforme.
Se existisse um gráfico de fossas minhas, esse sim seria uma verdadeira montanha russa, com direito a loopings e parafusos. Até nisso eu tenho que ser diferente. Já não basta estar na cota: brasileiro, não-rico, fútil, digno de pena, gay, suburbano, o que mais? Por que é tão fácil listar defeitos e não qualidades? Não que ser gay seja um defeito, aliás, essa é uma das poucas coisas que gosto em mim.
Sinto inveja das pessoas contantes, desde os que têm o ego nas alturas, e acham tanto que são desejados, que se fazem ser. Até mesmo das que vivem integralmente em fossas, elas sabem quem são elas! E eu que não sei quem eu sou? O que eu sou? Eu sou? Eu?
Vou deletar esse texto um dia, ou não, ou sim, ou talvez…