Aquela sensação de querer abraçar um amigo próximo e chorar sem previsão de um fim para isso. Poder chorar e se exaurir. Exaurir toda a minha angústia – falta de intimidade de um consigo mesmo! – em lágrimas nos ombros alheios. Sem qualquer explicação. Sem qualquer crítica ao meu desabafo silencioso. Sem qualquer julgamento ou juízo de valor sobre meu Expressionismo solilóquio.
Sinto como se eu estivesse passando por uma prova metafísica. Algo maior que eu. Ao mesmo tempo, porém, é voltado a mim. Não sei explicar. Queria eu poder entender muito melhor isso. Acho que é algo do tipo não passar no vestibular por 1 vaga. É, algo assim, algo do tipo que faça alguém achar que o Universo conspira contra um! Ver as pessoas próximas a mim – relacionadas por sangue! – terem coisas que sempre quis – nem sempre físicas – por tão pouco e achar que mereço mais do que tenho. No entanto vejo que tenho muito. Só… não as valorizo. Ah! Os velhos dilemas que sempre voltam à tona…
Sou destinado a fazer algo! Cara Brum, eu mereço tudo! Eu mereço o que eu quiser, quando eu quiser. A diferença está no senso de justiça metafísica que existe, indubitavelmente, no âmago de qualquer pessoa, religiosa ou ateia, e que as faz ir para frente. Seguir. Não digo superar, mas continuar caminhando, acreditando que algo de bom vai acontecer a ela pois a balança da justiça universal está longe de estar equilibrada. Alguns chamam isso de esperança, também. Acho que é diferente. Esperança é o que faz uma página da rede virar a minha mais visitada, numa síndrome compulsiva e masoquista. Esse senso de justiça é a certeza de que algo de bom acontecerá àqueles que sofrem. Esse pensamento é um misto de catolicismo com piscianismo, porém expressa bem o que eu quis dizer, mesmmo tendo a consciência plena de que só os mais aptos sobrevivem, só os mais espertos conseguem ser felizes. Aquela velha história.
Tenho passado a maior parte de meus dias tentando fugir dessa depressão – que odeio chamar de depressão! Esse buraco negro que me persegue. Não consigo imprimir uma velocidade de escape suficiente para fugir. Entretanto, eu preciso. Preciso me forçar a ver um mundo que não consigo ver muito bem. Fui ao oftalmologista e à oftalmologista e parece que nem mesmo assim consigo enxergar a forma desse mundo.
Nesse expressionismo em que quando estou mal eu vejo tudo mal. Modifico meu ambiente externo para adequá-lo ao meu interno. Que comida desagradável. Que ruas feias. Que gente medíocre. Que mundo miserável. Ou até mesmo, na felicidade. Que mundo lindo! Que cores fantásticas! Que animais incríveis! Que forma perfeita. Se vejo o mundo como meu meio interno está, se o mundo não passa de um segundo plano para a minha vida – no caso, o meu mundo -, qual a aparência verdadeira dessa existência? Não a minha, que é passageira e irrisória quando comparada à toda existência: o mundo, a Vida, tudo. Se não reparo o que vejo, o que olho?

Sei que não deveria falar nada, mas…
Gostaria que ainda pudesse contar comigo. Eu realmente gostaria.