Acho que essa “era de peixes” já deu. Esse mar de pensamentos oriundos de uma doutrina católica da Idade Média que, embora já tenha acabado há mais de meio milênio, persiste na nossa sociedade. Dogmas pessimistas que não a permitem, como um todo, se manter no alto. No positivismo – em vários sentidos!
Como todo o mundo pode deixar que tudo que acontece de bom tenha seu mérito dado a “D”eus? Como uma sociedade pode acreditar que tudo que acontece de ruim é culpa dela mesma? Como é que pode uma população se sentir coletivamente bem se tudo que consegue não é seu e tudo que lhe acontece de mal é culpa única e exclusivamente sua?
Se for assim, me desculpem, bilhões de pessoas que ainda seguem preceitos que não nos cabem mais – olhem ao redor, já sabemos clonar seres vivos e que é possível surgir moléculas orgânicas de inorgânicas em ambientes pré-cambrianos –, me desculpem por ser tão egoísta e não acreditar nessa tal força metafísica que rouba todas as minhas conquistas. Eu não acredito nem por um milissegundo. Se Amy Winehouse morreu, não foi porque ela não tinha Deus no coração. Se alguém passou no vestibular, foi porque estudou, todos os méritos são dessa pessoa. Se alguém matou alguém, não foi porque o demônio estava no corpo dela: bichos se matam. Somos bichos, só que um pouco mais chiques. Chiques o suficiente para ter consciência – não o bastante para todos, pelo visto, para serem positivistas.
Viva o hedonismo! Ou viva o prazer pelo prazer. Seja ele imediato ou não. O prazer de descobrir. O prazer de conversar. O prazer de ser curioso. O prazer de ser sociável. O prazer de se trancar dentro de casa e jogar video-game sem qualquer preocupação. No entanto, nunca, nunca o prazer de se fechar aos fatos que chegam e aceitar dogmas que não têm qualquer prova, não têm… sentido. Qualquer um.
A cada dia que passa me torno mais e mais intolerante a religiões. E se eu morrer amanhã, é porque eu morri. Morri de problemas de saúde ou porque um motorista distraído não olhou o sinal – ou porque a culpa foi minha mesmo e atravessei sem olhar. A cada dia que passa meu corpo passa de olhos que reviram em suas órbitas a perigosos punhos que se fecham. Me tornando tudo que eu não queria ser. Um intolerante à intolerância da razão. E, infelizmente, quem perde o sentido é quem o mais tem…
Graças a Deus
16 setembro 2011 por yurib
